PVR-TIPS

PVR-TIPS para trombose crônica da veia porta sem cirrose

A trombose crônica da veia porta e a hipertensão portal sintomática podem causar complicações graves mesmo em pacientes que não têm cirrose, como sangramento por varizes, dor abdominal e ascite.

Nesses casos complexos, a recanalização da veia porta com criação de um shunt portossistêmico intra-hepático, conhecida como PVR-TIPS, é uma alternativa para restaurar o fluxo portal e aliviar sintomas que antes tinham poucas opções de tratamento.

Entenda a trombose crônica da veia porta

A veia porta é um dos principais vasos do fígado, que leva sangue do intestino e de outros órgãos abdominais para o próprio fígado. Quando ocorre uma trombose crônica nessa veia, o sangue encontra dificuldade para circular adequadamente, o que pode aumentar a pressão nesse sistema e provocar a chamada hipertensão portal.

Em pacientes sem cirrose, esse quadro pode passar despercebido por algum tempo, mas tende a se manifestar com complicações importantes. Entre os sinais e consequências mais relevantes estão varizes gastroesofágicas com risco de sangramento, dor abdominal, ascite e até dificuldade para um futuro transplante hepático.

O que é hipertensão portal sintomática

Hipertensão portal significa aumento da pressão dentro do sistema venoso portal. Quando ela se torna sintomática, o paciente pode apresentar distensão abdominal, acúmulo de líquido na barriga, desconforto importante e episódios de sangramento digestivo, o que torna o quadro potencialmente grave.

Esse cenário exige avaliação especializada porque não se trata apenas de controlar sintomas isolados. O objetivo é atuar na causa do problema e, sempre que possível, restabelecer o fluxo venoso portal para reduzir a pressão e proteger o fígado e o trato digestivo.

Como o PVR-TIPS funciona

O PVR-TIPS é um procedimento realizado pelo médico radiologista intervencionista. Tecnicamente exigente, o procedimento combina duas estratégias: a recanalização da veia porta e a criação de um shunt portossistêmico intra-hepático. Em termos simples, a equipe consegue reabrir a circulação da veia porta e criar uma nova via de escoamento do sangue para diminuir a pressão portal.

Essa abordagem é relevante em pacientes complexos, por isso, trata-se de um procedimento que deve ser feito em centros especializados, com equipe multidisciplinar e estrutura adequada.

O que os resultados do PVR-TIPS mostram

Um estudo internacional publicado na revista Cardiovascular and Interventional Radiology avaliou 21 pacientes com média de 44 anos e mostrou sucesso técnico em 100% dos casos. O trabalho também mostrou redução média de 10 mmHg no gradiente de pressão portal, com melhora clínica relevante.

Entre os resultados descritos, a ascite desapareceu ou reduziu em 70% dos pacientes, o sangramento digestivo cessou em todos os casos e a dor abdominal melhorou em 91%. O estudo também relatou ausência de progressão da trombose e sobrevida de 90% após seguimento médio de dois anos.

Em relação à segurança, 33% dos pacientes tiveram alguma complicação, em geral reversível, e houve um óbito em um paciente com quadro extremamente grave. A permeabilidade primária dos stents foi de 76%, e todos os casos de trombose do stent foram tratados com sucesso.

O papel da CRIEP e do Dr. Francisco Carnevale

O estudo contou com a participação do Dr. Francisco César Carnevale, do Hospital Sírio-Libanês, em parceria com uma equipe multidisciplinar de Milão. Isso reforça o protagonismo brasileiro no desenvolvimento e na aplicação de técnicas avançadas de radiologia intervencionista para casos complexos.

Na prática, esse tipo de procedimento exige experiência em anatomia vascular complexa, domínio técnico em intervenções hepáticas e capacidade de conduzir casos de alta complexidade com planejamento individualizado. O know-how da equipe ligada ao Dr. Carnevale e à CRIEP ganha destaque justamente por representar uma nova alternativa para pacientes graves que antes eram considerados sem solução terapêutica adequada.

Em casos selecionados, o PVR-TIPS representa uma possibilidade concreta de alívio sintomático e reabertura de caminhos terapêuticos antes muito limitados.

Procure a CRIEP para saber mais.

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