A adenomiose é uma doença ginecológica comum que pode causar dor importante, sangramento menstrual intenso e impacto na qualidade de vida. Em muitos casos, ela também levanta dúvidas sobre fertilidade e costuma ser confundida com a endometriose.
A adenomiose acontece quando o tecido semelhante ao endométrio invade a musculatura do útero, chamada miométrio. Esse processo pode provocar inflamação, deixar o útero aumentado e mais sensível, provocando sintomas bastante limitantes como cólicas intensas, fluxo menstrual excessivo e dor pélvica.
Sintomas mais comuns da adenomiose
Os sinais da adenomiose variam de mulher para mulher. Um dos sinais mais característicos é a menstruação muito intensa, também chamada de menorragia. O sangramento pode ser mais volumoso, durar mais dias do que o habitual e frequentemente vir acompanhado de coágulos. Em algumas mulheres, o fluxo menstrual aumenta progressivamente ao longo dos anos.
As cólicas menstruais intensas, ou dismenorreia, também são bastante frequentes. A dor pode ser mais forte do que aquela observada em ciclos menstruais habituais e, em muitos casos, tende a piorar com o passar do tempo.
Outro achado possível é o aumento do volume do útero. Quando a adenomiose é mais extensa, o útero pode assumir um aspecto aumentado, globoso e mais amolecido. A mulher pode perceber isso como uma sensação de peso ou pressão na parte inferior do abdome, além de aumento do volume abdominal.
A doença também pode causar dor durante as relações sexuais, especialmente durante a penetração profunda. Algumas mulheres apresentam ainda pequenos sangramentos fora do período menstrual, conhecidos como escapes ou spotting.
É importante destacar que a intensidade dos sintomas não necessariamente acompanha a extensão da doença. Uma mulher com alterações relativamente discretas nos exames pode apresentar sintomas significativos, enquanto outra com adenomiose mais extensa pode ter poucos ou nenhum sintoma.
Diferença entre adenomiose e endometriose
A principal diferença é o local onde o tecido semelhante ao endométrio aparece. Na adenomiose, ele invade a parede muscular do útero; na endometriose, esse tecido cresce fora do útero, como nos ovários, ligamentos ou intestino.
Os sintomas também podem ajudar na diferenciação, embora não sejam suficientes para estabelecer o diagnóstico isoladamente. A adenomiose costuma estar mais associada a sangramento menstrual intenso e cólicas importantes, enquanto a endometriose frequentemente se manifesta com dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais e, em alguns casos, dor para evacuar ou urinar durante a menstruação.
As duas doenças podem coexistir e compartilham sintomas parecidos, como dor, sangramento e dificuldade para engravidar, o que torna o diagnóstico mais difícil. Por isso, exames de imagem e avaliação especializada são fundamentais para separar uma condição da outra.
Adenomiose e fertilidade
A relação entre adenomiose e fertilidade é complexa. Ter adenomiose não significa ser infértil, e muitas mulheres com a doença conseguem engravidar naturalmente.
No entanto, em algumas pacientes, a condição pode dificultar a concepção ou aumentar alguns riscos durante a gestação. Isso ocorre porque a presença do tecido endometrial dentro do miométrio está associada a um processo inflamatório e a alterações na estrutura e no funcionamento do músculo uterino.
Essas alterações podem interferir na implantação do embrião, tornando o ambiente uterino menos favorável à gestação. Além disso, as modificações na musculatura uterina podem alterar as contrações normalmente envolvidas no transporte dos espermatozoides e do embrião.
A adenomiose também pode estar associada a um aumento do risco de perda gestacional, especialmente em determinados grupos de pacientes. Por isso, quando existe dificuldade para engravidar ou histórico de perdas gestacionais, a investigação deve considerar a possibilidade de adenomiose, principalmente quando existem sintomas ou alterações características nos exames de imagem.
A boa notícia é que a presença da doença não significa que a mulher não poderá ter filhos. Quando a adenomiose está relacionada à infertilidade, existem diferentes estratégias de tratamento, que devem ser individualizadas de acordo com a idade, os sintomas, a extensão da doença e, principalmente, os planos reprodutivos da paciente. As opções podem incluir tratamentos hormonais e, em situações específicas, técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico costuma começar com a suspeita clínica, a partir dos sintomas e do exame ginecológico. Exames de imagem como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética ajudam a confirmar a adenomiose e avaliar sua extensão.
Na prática, a avaliação por imagem é importante porque mostra sinais como alterações na espessura e na textura do miométrio, além de outras características que sugerem a presença da doença. Isso ajuda a definir o melhor plano de tratamento para cada paciente.
Opções de tratamento
O tratamento depende da intensidade dos sintomas, do desejo gestacional e da idade da paciente.
Para mulheres que apresentam dor ou sangramento intenso, podem ser utilizados tratamentos hormonais, que têm como objetivo reduzir a atividade do tecido endometrial e controlar os sintomas. O DIU hormonal também pode ser uma alternativa para determinadas pacientes, especialmente quando o sangramento menstrual intenso é uma das principais queixas.
Em situações específicas, principalmente quando os sintomas são importantes e não respondem adequadamente ao tratamento clínico, podem ser consideradas alternativas como embolização ou cirurgia, inclusive histerectomia em situações selecionadas.
Quando procurar avaliação
Cólicas intensas, fluxo menstrual muito forte, dor pélvica persistente e dificuldade para engravidar não devem ser ignoradas. Quanto antes a adenomiose for diagnosticada, mais cedo é possível escolher um tratamento adequado e evitar piora dos sintomas.
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