Hipertensão portal em crianças

Hipertensão portal em crianças e a indicação da TIPS

A hipertensão portal em crianças ocorre quando a pressão no sistema porta, responsável por levar ao fígado parte importante do sangue vindo do intestino e de outros órgãos abdominais, fica elevada. Essa alteração pode surgir por diferentes causas e provocar complicações que exigem acompanhamento especializado.

Em crianças, a hipertensão portal pode estar relacionada a doenças do próprio fígado, como cirrose decorre de doenças congênitas, genéticas, metabólicas ou infecciosas e outras condições que comprometem a circulação hepática. Também pode ocorrer por alterações nos vasos que chegam ao fígado, incluindo obstrução ou trombose da veia porta.

O quadro pode se manifestar por varizes no esôfago ou estômago, sangramento digestivo, aumento do baço e redução das células do sangue, além de ascite em determinadas situações.

O TIPS é um tratamento que pode ser recomendado para o caso de hipertensão portal em crianças. É o que abordaremos neste artigo.

O que é o TIPS?

TIPS é a sigla em inglês para transjugular intrahepatic portosystemic shunt, ou shunt portossistêmico intra-hepático transjugular. O procedimento cria uma comunicação controlada entre a veia porta e uma veia hepática, por meio de um stent, permitindo que parte do sangue desvie da circulação portal de alta pressão.

Na prática, o TIPS busca reduzir a pressão portal e controlar complicações relacionadas à hipertensão portal. O acesso é feito por uma veia do pescoço, e o procedimento é guiado por métodos de imagem, sem a necessidade de uma cirurgia abdominal convencional.

Quando o TIPS pode ser indicado em crianças?

A indicação não é automática. O TIPS pode ser considerado em situações selecionadas de hipertensão portal grave, especialmente quando complicações importantes não respondem adequadamente aos tratamentos clínicos e endoscópicos disponíveis.

Uma das principais indicações é o sangramento por varizes gastroesofágicas que persiste ou volta apesar das medidas de controle. O procedimento também pode ser considerado em alguns casos de ascite de difícil controle. Dependendo da doença de base e do contexto clínico, o TIPS pode ainda ser utilizado como uma estratégia temporária, inclusive como ponte para o transplante hepático.

A decisão depende de uma avaliação individualizada, considerando a causa da hipertensão portal, a anatomia vascular, a função do fígado, o estado clínico da criança e o planejamento de um eventual transplante.

Em pediatria, algumas situações de obstrução da veia porta têm outras abordagens preferenciais, como o shunt meso-Rex, que pode restabelecer o fluxo sanguíneo portal para o fígado.

Por que o TIPS pediátrico exige experiência especializada?

Realizar TIPS em uma criança apresenta desafios diferentes daqueles encontrados em adultos. O tamanho reduzido dos vasos exige planejamento detalhado, materiais compatíveis com a anatomia pediátrica e é indicado a realização em hospitais de grande porte geralmente vinculados a centros de referência em transplante hepático pediátrico. Importante ressaltar que o planejamento do procedimento precisa considerar o crescimento da criança e possíveis intervenções futuras.

Por isso, o TIPS pediátrico deve ser realizado por um Radiologista Intervencionista com experiência em procedimentos pediátricos, após avaliação criteriosa de equipe médica multidisciplinar que deve contar com Hepatologista Pediátrico, Gastropediatra e Cirurgião de Transplante Hepático.

O acompanhamento multidisciplinar após o procedimento também é muito importante, pois o shunt pode precisar de avaliação por exames de imagem e, em alguns casos, de intervenções adicionais ao longo do tempo.

Na CRIEP, a Radiologia Intervencionista integra conhecimento técnico, avaliação individualizada e atuação multidisciplinar para casos complexos. Em crianças com hipertensão portal, a indicação do TIPS deve sempre considerar as características de cada paciente e o tratamento global da doença.

Quando indicado de forma criteriosa, o TIPS pode ser uma alternativa para controlar complicações graves da hipertensão portal e, em determinadas situações, contribuir para o cuidado de crianças que aguardam um transplante hepático.

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