A medicina brasileira tem contribuído para o desenvolvimento de tratamentos inovadores reconhecidos internacionalmente. Um dos exemplos mais importantes é a Embolização das Artérias da Próstata, técnica pioneiramente desenvolvida e publicada pelo Prof. Dr. Francisco Cesar Carnevale, chefe do serviço de Radiologia Intervencionista, do InRad do Hospital das Clínicas-FMUSP.
Hoje, o procedimento é realizado em diversos países e se tornou uma importante alternativa para homens que sofrem com os sintomas da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), com um tratamento eficaz sem cirurgia aberta e com preservação da qualidade de vida.
O que é a Hiperplasia Prostática Benigna?
A Hiperplasia Prostática Benigna, conhecida pela sigla HPB, é o aumento benigno da próstata que ocorre naturalmente com o envelhecimento masculino.
A condição afeta milhões de homens e pode provocar sintomas como dificuldade para iniciar a micção, jato urinário fraco, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, necessidade frequente de urinar, acordar várias vezes durante a noite para urinar e urgência urinária.
Embora não seja câncer, a HPB pode impactar a qualidade de vida quando não tratada adequadamente.
Embolização. O nascimento de uma técnica inovadora
Buscando uma alternativa menos invasiva para pacientes com próstata aumentada, o Prof. Dr. Francisco Cesar Carnevale coordenou um trabalho em conjunto entre o Hospital das Clínicas da FMUSP e a Universidade de Harvard que culminaram no desenvolvimento e na publicação pioneira da técnica de Embolização das Artérias da Próstata.
O procedimento surgiu a partir dos conhecimentos da Radiologia Intervencionista, especialidade médica que utiliza cateteres e equipamentos de imagem como o angiógrafo, usado para tratar doenças sem a necessidade de grandes cirurgias.
Os resultados obtidos demonstraram que era possível reduzir o tamanho da próstata e aliviar os sintomas urinários através da interrupção controlada do fluxo sanguíneo que alimenta a glândula.
A partir dessas publicações científicas pioneiras, a técnica despertou interesse internacional e passou a ser estudada e adotada por centros médicos em todo o mundo.
Como funciona a embolização da próstata?
O procedimento é realizado por meio de uma pequena punção, geralmente na virilha. Através de um cateter fino, o médico navega pelos vasos sanguíneos até alcançar as artérias que irrigam a próstata.
Em seguida, são injetadas micropartículas específicas que obstruem seletivamente o fluxo sanguíneo da região, promovendo a diminuição gradual da próstata ao longo dos meses seguintes.
Tudo é realizado com auxílio de equipamentos de imagem de alta precisão, sem grandes cortes cirúrgicos e sem a necessidade de remoção da próstata.
Quais são os benefícios da técnica?
A embolização da próstata apresenta diversas vantagens para pacientes selecionados, tais como a preservação da ejaculação, pois não causa a ejaculação retrógrada, não causa a incontinência urinária, recuperação mais rápida, realizado em regime de hospital-dia, no qual entra e sai no mesmo dia, retorno precoce às atividades habituais e melhora significativa dos sintomas urinários.
Esses benefícios contribuíram para que a técnica conquistasse reconhecimento internacional e se consolidasse como uma importante opção terapêutica.
Reconhecimento internacional da inovação brasileira
A contribuição do Prof. Dr. Francisco Cesar Carnevale para a Radiologia Intervencionista ultrapassou as fronteiras do Brasil.
Os seus trabalhos científicos e sua atuação no desenvolvimento da embolização da próstata receberam reconhecimento de instituições médicas internacionais, culminando com a concessão da Gold Medal do CIRSE (Cardiovascular and Interventional Radiological Society of Europe).
A honraria é considerada o mais alto reconhecimento da Radiologia Intervencionista Europeia e é concedida a profissionais que realizaram contribuições excepcionais para o avanço da especialidade em nível mundial.
Esse reconhecimento reforça a relevância das pesquisas desenvolvidas no Hospital das Clínicas da FMUSP e o impacto global da técnica criada no Brasil.
Atualmente, o procedimento possui respaldo do Conselho Federal de Medicina (CFM), que reconhece sua utilização dentro de critérios técnicos e científicos estabelecidos.
Além disso, a técnica passou a integrar o rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), ampliando o acesso dos pacientes ao tratamento por meio dos planos de saúde.
Esses avanços refletem a robustez das evidências científicas acumuladas ao longo dos anos e a consolidação da embolização como uma alternativa eficaz para o tratamento da HPB.
A trajetória da embolização das artérias da próstata é um exemplo de como a pesquisa médica nacional pode gerar impacto global.






















