Embolização da veia porta. Quando um paciente precisa de uma cirurgia extensa no fígado, uma das maiores preocupações da equipe médica não é apenas retirar o tumor ou a área doente. Também é essencial garantir que a parte do fígado que vai permanecer no corpo tenha volume e função suficientes para manter o organismo funcionando bem depois da operação.
É nesse contexto que entram dois procedimentos da radiologia intervencionista: a embolização da veia porta e a deprivação venosa hepática. Essas técnicas são usadas antes de grandes hepatectomias para estimular o crescimento da parte saudável do fígado que ficará no paciente após a cirurgia.
O que é o futuro remanescente hepático
Antes de indicar uma cirurgia de grande porte no fígado, a equipe avalia o chamado futuro remanescente hepático (FRH), que é a porção do fígado que continuará no organismo depois da ressecção. Se esse volume for pequeno demais, o risco de insuficiência hepática no pós-operatório aumenta de forma importante.
Por isso, exames de imagem e cálculos de volumetria são feitos para prever se o fígado restante será suficiente. Quando essa previsão mostra risco elevado, a cirurgia pode precisar ser adiada para que o fígado saudável cresça antes da operação.
Entenda a embolização da veia porta
A embolização da veia porta é um procedimento minimamente invasivo realizado antes da cirurgia hepática. O objetivo é bloquear seletivamente os ramos da veia porta que irrigam a parte do fígado que será retirada, fazendo com que o fluxo sanguíneo seja redirecionado para a parte que vai permanecer.
Com isso, o fígado remanescente recebe mais estímulo para crescer e costuma atingir seu pico em cerca de 3 a 4 semanas, permitindo reavaliar se o paciente já pode seguir para a cirurgia com mais segurança.
A embolização da veia porta isolada induz um aumento do FRH de cerca de 8–27%. Em pacientes com doença hepática de base ou tumores agressivos, essa hipertrofia pode não ser suficiente ou rápida o bastante.
O que é deprivação venosa hepática
A deprivação venosa hepática é uma estratégia mais avançada, indicada quando há necessidade de um crescimento ainda maior do futuro remanescente hepático. Ela combina a embolização portal com o bloqueio da drenagem venosa do segmento hepático que será removido.
Em termos simples, além de redirecionar o sangue da veia porta para o fígado que ficará, a técnica também interrompe a drenagem venosa da parte do fígado que será retirada. Isso aumenta o estímulo para hipertrofia do fígado remanescente e pode gerar crescimento mais expressivo do que a embolização portal isolada. Estudos mostram crescimento de até 62,5% em 14 dias, muito superior aos 8–27% da embolização de veia porta isolada.
Como os procedimentos são realizados
Tanto a embolização portal quanto a deprivação venosa hepática são feitos por acesso percutâneo, com punção na pele na região do fígado. A partir desse acesso, o médico intervencionista introduz cateteres nas veias e realiza a oclusão dos vasos-alvo com agentes embólicos, como micropartículas, cola cirúrgica, plugs vasculares ou coils metálicos.
Na deprivação venosa hepática, além da oclusão dos ramos da veia porta, também é feito o bloqueio da veia hepática responsável pela drenagem do segmento a ser retirado. Após o procedimento, normalmente não há necessidade de cortes amplos nem de pontos cirúrgicos.
No período pós-procedimento, é comum ocorrer dor abdominal leve, febre baixa transitória e discreta elevação de enzimas hepáticas. Exames laboratoriais e de imagem são realizados nos dias subsequentes para monitorar função hepática e mensurar o crescimento do fígado remanescente.
Em geral, a hepatectomia definitiva é programada entre duas e seis semanas após o procedimento, quando se confirma hipertrofia hepática adequada e segurança funcional para a cirurgia. A embolização portal e a deprivação venosa hepática são estratégias fundamentais para pacientes que precisam de grandes cirurgias no fígado, mas apresentam risco por terem pouco fígado remanescente previsto.
Ao estimular o crescimento da parte saudável do órgão antes da operação, esses procedimentos aumentam a segurança do tratamento e ampliam as chances de sucesso cirúrgico.






















